Monday, 11 December 2006

Sinto-me especialmente alta hoje, algo se passa. Inquieta-me, já estava habituada à minha rotina. É que às vezes parece que cresço aos soluços, de vez em quando lá vem a instrospecção acenar-me.
O Mundo à volta parece que pára e engordo só de olhar para ele.

Sunday, 10 December 2006

Algumas pessoas deviam poder-se pendurar género cabides. Há estas pessoas tipo-tolas que me cansam, e às vezes invejo-lhes a ingenuidade pois tudo lhes faz cócegas. Há estes quase-tolos que andam com as tipo-tolas que se acham divinos e nada os afecta. Depois cai-lhes o mundo em cima. Há aqueles do género sem-personalidade que se nos colam ao pêlo num instante e quando damos pela coisa temos um mini-eu atrelado. Há também os que passam a vida a infernizar-nos os pecados e ficamos na dúvida se não gostariam de os cometer também.
Estas pessoas desaparafusam-me.
Nunca ando de guarda-chuva nem nunca andei, não me lembro sequer de ter um. Detesto andar carregada e tal pai tal filha, tenho o hábito de deixar tudo por todo o lado.
Chateia-me é quando me chove em cima.
Acordai
Homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis
Vinde no clamor
Das almas viris
Arrancar a flor
Que dorme na raíz

Fernando Lopes Graça

Saturday, 9 December 2006


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Tuesday, 21 November 2006

Autópsia


A saudade aperta, o coração desperta
Até chegar à meta a certeza é incerta
Na pulsão de viver vou tentando esquecer
As memórias do passado que arrasto para o lado
Conto todos os segundos para te poder rever
Oiço o som das chaves, parece que ainda te estou a ver
A entrar naquela porta mas eu sei que já não voltas
Choro este fado que o meu corpo não suporta
A mente viaja quando a luz apaga
Sinto a tua voz a remexer na minha chaga
Hoje estou mais calma, já controlo a minha raiva
A dor tornou-se força e o sofrimento foi guardado
Voltei a pensar em tudo aquilo que me fez crescer
Tenho estes acordes para te poder agradecer
Hoje fui transparente
A minha autópsia terminou
O tempo tudo cura mas a saudade ficou

(BT)

Miss L

Ao fim de tanto tempo percebi que tenho medo de ti
Da forma que me olhas e me pensas
Que não me vejas da mesma forma
Encaro o teu silêncio como desistência da nossa viagem
Eu saí nesta estação e tu continuaste
E o teu rasto perdi
Não te vou dizer que não penso em ti
Penso em ti todos os dias
Olho a tua fotografia todos os dias
Lembro-me de nós todos os dias
E imagino a tua vida sem mim
Simplesmente não tenho coragem de te ligar
E ouvir a tua voz despreocupada do outro lado
Aquela voz que te conheço quando te desaponto
E eu pequenina deste lado
A sublimar o que sinto
E a elevar-me ao mínimo suportável para que me oiças sem pensar
E me convides para mais um copo no sítio do costume
Ao fim de horas e de copos
Muitos copos
Eu agarro em ti
Atrai-me aquilo que és, que não foste quando precisei
Porque sei que errei
Mais uma vez?
Estou de novo lá no fundo
E nunca te dou espaço para lá estares também
E comigo nunca estás mais do que eu

- 2003-